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Urna-Relicário do Cravo

Urna Relicario do Cravo
Autor
Localización
Clasificación
Lugar de orixe
Estilo
Século
XVII
Cronoloxía
séc. XVII (primeira metade)
Descrición

Urna-relicário executada em prata e vidro que conserva a relíquia de um dos cravos da Crucificação. O conjunto integra de forma harmoniosa elementos de diversa natureza. Na parte superior observa-se uma urna retangular com tampa troncopiramidal, composta por estrutura de prata e painéis de vidro. Este modelo apresenta certo paralelismo com as arquetas-relicário conservadas na coleção, revelando, contudo, maior riqueza material. A tampa mantém os vidros laterais que permitem visualizar o conteúdo, sendo o remate superior coroado por uma cruz latina em prata sobredourada.

A caixa transparente permite contemplar a relíquia: um dos cravos da Crucificação de Cristo. O objeto repousa sobre uma bandeja de prata decorada com entrelaçado composto por dupla sequência de bandas em ziguezague e, na base, motivos florais. O cravo encontra-se fixado por dois cordões colocados nas extremidades, sendo que o inferior apresenta pequenas aplicações de aljôfar.

A estrutura da urna revela elegante decoração que combina prata no seu tom natural, pequenas placas de vidro com molduras em prata sobredourada, flores de seis pétalas e quatro estípites antropomórficos aplicados nos cantos, igualmente em prata. Na parte frontal inferior, destaca-se um elemento decorativo presidido pela figura de um anjo-menino que sustenta uma pequena moldura-relicário suspenso por correntes, contendo relíquias de São Martinho (anverso) e São Clemente (reverso), identificadas por respetivas cartelas.

O conjunto formado pela urna e pela moldura-relicário é sustentado por dois anjos de prata de notável qualidade artística. Ambas as figuras revelam cuidado estudo anatómico e sentido de movimento. São anjos de aparência juvenil e proporções harmoniosas, com especial atenção ao detalhe, visível na expressão dos rostos, na curvatura das asas e na amplitude dos mantos. A tensão dinâmica das figuras estabelece uma diagonal que suaviza a rigidez das linhas retas dominantes na peça.

Os anjos assentam sobre uma peanha moldurada de secção quase retangular, com ligeiro recuo na parte frontal. Na zona superior, onde se dispõem as figuras, observa-se decoração floral gravada a buril. A parte intermédia apresenta, nos cantos, elementos decorativos compostos por querubins acompanhados de volutas com pequenas esferas. Na frente, a caixa inferior contém várias relíquias identificadas por cartelas. No espaço central recuado, ladeado por quatro anjos-meninos, uma teca oval conserva relíquias de São Julião (um dente) e Santa Basilisa. Nos corpos laterais mais salientes, duas tecas circulares destinam-se igualmente ao depósito de relíquias.

Por fim, importa referir que esta peça poderá ter constituído oferta do VIII Conde de Lemos, Francisco Ruíz de Castro, a Catalina de la Cerda y Sandoval. A urna é mencionada na documentação conventual:

En una arquilla de cristal guarnecida de plata está un clavo de los con que enclavaron á Cristo nuestro Señor en la Cruz, que se le dieron al Padre fr. Agustín de Castro siendo Embajador en Roma, y la certificación está en el Archivo, de su misma letra y mano (Monforte de Lemos, Archivo del Convento de Santa Clara, papeles sueltos, 3r. apud Sáez González, 1987: 211).

 

Bibliografía
  • Chamoso Lamas, M. e Casamar, M. (1980). Museo de Arte Sacro Clarisas de Monforte. Madrid: Caja de Ahorros de Galicia.
  • Lorenzana Lamelo, M.ª L. (1986) Aportación documental al estudio histórico-artístico de dos fundaciones monfortinas: el colegio de la Compañía y el Convento de las Clarisas. Santiago de Compostela: Universidad de Santiago de Compostela.
  • Sáez González, M. (1987). La platería en Monforte de Lemos. Lugo: Diputación de Lugo.
  • Valle Pérez, J. C., y Fernández Otero, J. C. (1993). Os Museos da Igrexa en Galicia. Ourense: Xunta de Galicia.
Material
Prata
Vidro
Técnica
Fundição
Moldagem
Cinzelagem
Repuxo
Sobredouramento